A
Senhora de José de Alencar
José de Alencar nasceu em
1 de Maio de 1829, em Messejana, Ceara. Filho de José Martiniano de Alencar e
de D. Ana Josefina de Alencar. Formou-se em direito e chegou a exercer a
profissão. Iniciou a atividade literária no Correio
Mercantil e no Diário do Rio de
Janeiro.
O romance “Senhora” foi uma das ultimas obras dele.
Foi publicada em 1875 em forma de folhetim. Narra-se a história de Aurélia
Camargo, uma jovem, pobre, que um dia recebe uma herança do avô e tem uma ascensão
social. E com isso passa a ser a donzela mais cortejada do Rio de Janeiro.
Personagens:
AURELIA - Mulher
diferente da sua época, que ficou órfã aos 18 anos, e recebe a alcunha de
Senhora por ser da Alta Sociedade e possuir personalidade forte, além da sua
beleza.Apaixonada por Fernando Seixas, que tem sua atmosfera amorosa
desiludida, tornando ela uma mulher fria e vingativa, porém não consegue
esconder seu verdadeiro sentimento por Fernando Seixas.
FERNANDO SEIXAS – Ele
se mostra de duas formas na obra: Seixas e Fernando. Seixas é um jovem que
frequenta as festas da alta sociedade e Fernando era elegante, educado e
extremamente inteligente. Era um moço extremamente jovem e carinhoso, sabia
perfeitamente como tratar as irmãs (que o bajulavam a toda hora e brigavam
ciumentas por ele). Procurava casamento com uma moça rica pra melhorar sua
condição. A partir do relacionamento com Aurélia, ele muda sua personalidade ao
longo do tempo.
LEMOS - Tio de Aurélia,
Um velho bonachão e negociante, que foi o intermediário da relação do dote
entre Aurélia e Seixas; Pode representar o burguês especulador nas transações.
ADELAIDE - mulher rica
e poderosa, com o dote do seu pai tira Seixas de Aurélia, mas seu verdadeiro
amor era Torquato.
LISIA SOARES - pessoa,
amiga, íntima de Aurélia.
ALFREDO MOREIRA E
AMARALZINHA - pessoas elegantes.
D.FIRMINA - viúva que
se tornou tutora de Aurélia após a morte da mãe, e a acompanhava na Sociedade.
D. EMILIA - mãe de
Aurélia que casou com Pedro Camargo, abandonando sua família.
PEDRO CAMARGO - pai de
Aurélia e filho do fazendeiro Lourenço Camargo, de quem Aurélia herdou sua
fortuna.
TORQUATO - moço simples
e humilde que ajudou Aurélia em momentos difíceis.
EDUARDO ABREU - moço
bom que foi pretendente de Aurélia e que custeou as despesas do enterro da mãe
dela.
Senhora:
status na nova sociedade.
Ascensão social é uma
coisa recorrente na obra. Vemos a partir de dois personagens: Aurélia, a que já
teve sua ascensão e Fernando Seixas, o que quer ascender socialmente.
As personagens
femininas das obras de Jose de Alencar comprovam sua sensibilidade em criar
seres marcantes como Aurélia, por exemplo. Aurélia é uma mulher dividida entre
o amor e o ódio, entre o desejo de vingar-se e o de amar plenamente. O autor
cria uma personagem que confronta as qualidades convencionais de uma heroína
romântica.
Essa personagem é ao
mesmo tempo “fada encantada” e “ninfa das chamas, lasciva salamandra”, o que
possibilita a distancia de uma visão maniqueísta sobre a personagem e a
aproxima de uma personagem mais humana,realista e menos romântica.
Apesar de a personagem
ter traços distintos das mulheres de sua época, já que é mostrada também como
uma mulher autônoma e inteligente que tem domínio sobre os seus bens, para a
sociedade Aurélia mantinha os hábitos burgueses e um perfil convencional
plausível à classe burguesa. Realizava piquenique com as amigas, saia para
comprar vestidos, passeava de charrete com as moças da alta sociedade, entre
outras coisas.
Aurélia é conhecida por
ter um encanto arrebatador, como também uma fortuna invejada pela corte, porém
o que promove essa sua transição entre amor e vingança, foi o desprezo que teve
de Fernando quando a mesma era pobre.
A primeira parte da
narrativa mostra a personagem no presente, já na segunda parte somos
apresentados ao seu passado e começamos a entender a dualidade dos sentimentos
da personagem entre o amor e a vingança, o desejo de querer amar, porém
orgulhosamente ter de desprezar.
A origem pobre da
personagem e o desprezo de seu amor devido as suas condições sociais despertam
na mesma um desejo de vingança, um desejo de ascender socialmente, ser desejada
por todos, invejada por todos, e vingar-se através da compra do matrimônio,
mesmo ainda amando Fernando. Apesar de Alencar mostrar na obra a ousadia da
protagonista feminina, a obra acaba restabelecendo uma estrutura familiar patriarcal.
As características da
personagem Fernando Seixas, um moço de fisionomia nobre, porém pobre, que
deseja ascender socialmente através do casamento, e descrita pelo autor de
forma bastante minuciosa:
“Tem uma fisionomia tão
nobre, quanto sedutora; belos traços,tez finíssima, cuja alvura realça a macia
barba castanha.Os olhos rasgados e luminosos às vezes coalham-se em um enlevo
de ternura, mas natural e estreme de afetação, que há de torná-los
irresistíveis quando o amor os acende. A boca revestida por um bigode elegante,
mostra o seu molde gracioso, sem contudo perder a expressão grave e sóbria, que
deve ter o órgão da palavra viril.” (ALENCAR, 1999, pág. 36).
A conduta de Seixas ao
desprezar o amor de Aurélia quando descobre que a mesma é pobre, é explicada
pelos costumes e hábitos da sociedade burguesa, que auxiliou a corrompê-lo, por
isso o autor da Obra não coloca a personagem Fernando como vilão da história.
Fernando Seixas é um
personagem resultante do desejo de participar destes restritos círculos sociais
burgueses, tanto que se veste de forma a valorizar o produto, buscando
ascender-se sob a custa do matrimônio.
Este personagem volta
aos braços de Aurélia sem saber através do dote que lhe é oferecido pelo tio de
Aurélia, o dinheiro sempre está à frente das suas escolhas, porém quando ele
descobre a verdade, tanto o orgulho, quanto o sentimento diante da
autossuficiência de Aurélia e o amor que sempre manteve por ela faz com que ele
tome a atitude de paga-lá como também de pedir o seu amor de volta.




