Manuel Antônio de Almeida nasceu, no Rio de Janeiro em
1831, filho de portugueses, Antônio de Almeida e Josefina Maria de Almeida.
Concluiu, em 1855, o curso de medicina, entretanto nunca exerceu. Seu romance,
Memórias de um Sargento de Milícias, foi publicado, inicialmente, no suplemento
literário "A Pacotilha", e onde saíram, em folhetins, sob pseudônimo de “Um brasileiro”, entre 1852 e 1853 (a
primeira edição do romance, em livro, aparece em 1854 – 1855, em dois volumes,
permanecendo o autor anônimo). A obra, Memórias de um sargento de milícias, narra a vida do Leonardo, do nascimento até o momento que se torna (Sargento). Malandrinho desde pequeno, filho de um beliscão e uma pisadela, poucas pessoas gostavam dele, e esses sempre ajudara-o. O leitor que se debruçar diante da obra, irá se divertir com as peripécias do Leonardinho e com todos que estão em torno dele. Obra escrita em linguagem coloquial da época, mas que mesmo depois de tanto tempo, o leitor não encontrará dificuldades na leitura quanto ao vocabulário.
Depois de conhecer um pouco sobre os personagens, aproveite para saber ainda mais sobre esse típico malandro em: Memórias de um Sargento de Milícias
Personagens “Memórias de um Sargento de Milícias”
Leonardo – Pataca
(pai): O
mais antigo dos meirinhos que viviam nesse tempo. A velhice tinha-o tornado
moleirão e lento; Leonardo – Pataca quando mais jovem, em sua viagem de navio
Lisboa/ Rio de Janeiro se envolverá amorosamente com Maria da hortaliça, e
entre beliscões e pisadelas de romance, e passados dois meses foram morar
juntos, e mais sete meses nascerá Leonardo (o anti-herói desta história).
Juntados Leonardo desconfiava da infidelidade da esposa, e depois de descobrir
traições, e Maria o deixar, vai embora deixando o filho para traz. Foge de uma
saloia e cai nos “encantos” de uma cigana, homem por vezes vingativo, e
digamos, um pouco interesseiro.
Maria da hortaliça: Quitandeira
das praças de Lisboa, camponesa rechonchuda e bonitona. Maria da hortaliça se
envolve com Leonardo – Pataca na viagem de navio, e com ele teve um filho,
Leonardo. Casada, ou melhor, juntada com Leonardo – Pataca tem seus
relacionamentos fora do casamento, descobertos esses relacionamentos foge com
um capitão de navio, deixando filho e marido para traz.
Leonardo (filho): Filho
de uma pisadela e beliscão, traquina e guloso, desde pequeno já era endiabrado,
“podre” Leonardo, era odiado pela vizinhança, aprontava muito com eles. Abusava
dos carinhos que recebia de seu padrinho, o qual criou devido seus pais o
abandonarem. Típico malandro, fazia de tudo para “levar uma vida boa”, não se
inclinava nem para clérigo muito menos para homem das letras. Fugia de qualquer
obrigação, apaixona-se por Luizinha, filha de D. Maria, depois, encanta-se por
Vidinha, vai preso pela segunda vez, quando enganou o Major Vidigal, na busca
por um meliante. Leonardo, herdara características do pai, apaixonava-se muito
fácil.
Dona Maria - Madrinha/
parteira/ comadre:Mulher
baixa, excessivamente gorda, bonachona, ingênua ou tola até certo ponto, e
finória até outro; vivia do ofício de parteira, que adotara por curiosidade, e
benzia de quebranto, típica “carola”, não perdia uma missa, sabia de tudo que
era relacionado à igreja; todos a conheciam por ser muito beata e pela mais
insistente papa – missa da cidade. Madrinha de Leonardo, devido a suas
ocupações, de princípio, não tinha muitas notícias de seu afilhado. Quando o seu
compadre vai preso é ela que intercede por ele. Apesar de sua ausência, quando
ele era pequeno, ela protegia-o em tudo, inclusive no plano para tirar o José
Manuel do caminho.
Padrinho/ barbeiro: Homem
solitário, tinha hábito de espiar a via alheia, costume antigo. Quando o
assunto era seu afilhado, demonstrava muito otimismo, acredita que o menino
terá um bom futuro e que irá provar isso para todos, sempre defendia-o, mesmo
quando as pessoas diziam o motivo de suas traquinagens, ele não aceitava, e por
vezes, até achava graça. O barbeiro fora criado por um homem que tinha a mesma
profissão que a sua, aliás, foi o seu criador que ensinou o seu ofício e também
fez dele letrado. Quando mais jovem, foi barbeiro e sangrador em um navio, e
estando ele por lá, conheceu o capitão, que pediu para entregar bens de valor
para a sua filha, com a morte do capitão, o barbeiro “herda” a fortuna, essa
que ele deixara para o seu afilhado no testamento.
Major Vidigal: Temido e destemido, era o rei absoluto, o árbitro supremo de tudo que
dizia respeito a esse ramo de administração, era o juiz que julgava e
distribuía a pena, e ao mesmo tempo o guarda que dava caça aos criminosos; nas
causas da sua imensa alçada não haviam testemunhas, nem provas, nem razões, nem
processo; ele resumia tudo em si. M. Vidigal conhecerá Leonardo e levará ele
preso, pois não admitia esse costume malandro que o jovem tinha e com isso
ajudará estabelece-lo em um cargo militar, na troca de “favores” que obtém com
Maria – Regalada, integra, posteriormente, Leonardo em Sargento de Milícias.
Dona Maria: Mulher velha, rica, muito gorda, de bom coração, ajudava aos pobres,
entendia muito de termos jurídicos, quando o assunto era esse, não havia
procurador que a enganasse; devia ter sido muito formosa no seu tempo, porém
dessa formosura só lhe restavam a rosada das faces e alvura dos dentes; Dona
Maria se simpatizara com Leonardo, e o ajudara, é também tia de Luisinha, a
qual ganha a guarda depois da morte dos pais.
Luisinha: Moça alta, magra, pálida, andava com o queixo enterrado no peito, trazia
as pálpebras sempre baixas, e olhava a furto; tinha os braços finos e
compridos; o cabelo, cortado, dava – lhe apenas até o pescoço, e como andava
mal penteada e trazia a cabeça sempre baixa, uma grande porção lhe caía sobre a
testa e olhos, como uma viseira. Luisinha sobrinha de D. Maria, se apaixona por
Leonardo, e depois dele se declarar para ela, seu mundo interior mudou de
estreito e triste, agora largo e iluminado, mas por vontade da tia casa – se
com José Manuel, o qual não foi um bom marido, tempo depois morre, e Luisinha
viúva se (re)encontra com Leonardo, agora já mudada (Luisinha uma moça
crescida, elegante, mesmo olhos e cabelos pretos, tendo perdido todo aquele
acanhamento físico e estranheza de outrora) casa – se com Leonardo.
José Manuel: Conhecido de Dona Maria, homem de pouco mais ou menos trinta e cinco
anos de idade, magro, narigudo, de olhar vivo e penetrante, homem astuto, tinha
o hábito de mentir, falar mal da vida alheia, não era querido por Leonardo e
nem pelo barbeiro, pois o mesmo tinha interesses na Luisinha, sofre acusação
por parte da madrinha do Leonardo, estratégia para afastá-lo da jovem. Seu real
interesse era por causa da herança que a jovem viria a herdade de sua tia; casa
– se com Luisinha, mas morre deixando-a viúva.
Vidinha: Mulata de 18 a 20 anos, de altura regular, ombros largos, peito alteado,
cintura fina e pés pequeninos; tinha os olhos muito pretos e muito vivos, os
lábios grossos e úmidos, dentes alvíssimos, a fala era um pouco descansada,
doce e afinada. Vidinha tem um envolvimento amoroso com Leonardo por um
período.
Teotônio: Vagabundo, bicheiro, tinha reputação de homem divertido, e não havia
festa de qualquer gênero para a qual não fosse convidado. Tocava viola e
cantava muito bem modinhas, dançava o fado com grande perfeição, falava a
língua de negro, e nela cantava admiradamente, fingia – se aleijado de qualquer
parte do corpo com muita naturalidade. Teotônio vagabundo “bandido” perseguido
por M. Vidigal, mas o major não conseguirá, pois Teotônio terá a ajuda de
Leonardo.
Maria – Regalada: Mulher de meia idade, mas fora no seu tempo de mocidade era formosa e
robusta, era de um gênio sobremaneira folgazão, vivia em contínua alegria, ria-
se de tudo, e de cada vez que se ria fazia – o por muito tempo e com muito
gosto (daí é que vinha o apelido – regalada). Maria – Regalada teve um
envolvimento amoroso com M. Vidigal outrora.
Chiquinha: Filha de D. Maria/ madrinha/ comadre, e segunda esposa de Leonardo –
Pataca.
Tomás da Sé: Coroinha da igreja, amigo de infância de Leonardo, endiabrado e malandro
como o amigo.
Chico Juca: Homem de fama e temível, valentão, amigo de Leonardo –
Pataca. Seu verdadeiro nome era Francisco, e por isso chamaram – no a princípio
– Chico –; porém tendo acontecido que conseguisse ele pelo seu braço lançar por
terra do trono da valentia a um companheiro que era seu gênero a maior
reputação do tempo, e a quem chamavam – Juca – juntaram este apelido ao seu,
como honra pela vitória.
Vizinha:Morava próximo ao Leonardo, mulher valentona, viúva, não
tinha papas na língua, intrometia-se na vida alheia, dizia que o garoto não
teria um bom final, já que era muito peralta. Vivia por fazer reclamações do garoto
e questionava o barbeiro sobre as “evoluções” do seu afilhado. Dizia que se o
garoto tinha esse comportamento era devido a liberdade que davam para ele.
Sofreu vingança de Leonardo, pois ela zombava quando via-o trajado de
sacristão.
Tenente-coronel: Homem bom, porém tinha muitos pecados, da carne, deixou
um filho em Lisboa, julgava não ser uma boa ideia casar seu filho como uma
mulher que vendia frutas. Expressa vontade de ajudar Maria para liberar o
Leonardo-pataca, morava em um sobrado, casa de gente rica, porém uma casa com
aspecto triste. Pede pela soltura de Leonardo – Pataca, e oferece ajuda ao
Leonardo (filho).
Sacristão da sé: Pai do Tomás, senhor de terceira idade, uma figura menos
má, filho da ilha terceira, formou-se em Coimbra, por fora um verdadeiro São
Francisco de austeridade católica, por dentro refinado Sardanapalo, que podia
por si só fornecer a Bocage assunto para um poema inteiro; era pregador que
buscava sempre por assunto a honestidade e a pureza corporal em todo o sentido;
porém interiormente era sensual como um sectário de Mafoma. Mantinha “relações”
com a Cigana. Amava muito por sermão, pois o povo se abalava com a sua voz, e
aguardava pelo sermão o ano inteiro. Depois que o Leonardo entrou para
trabalhar na igreja tudo deu errado, inclusive ele quase veio a perder seu
sermão, o jovem aprontou com ele também, informava o horário errado da leitura,
consequentemente, fez o Leonardo ser despedido.
Italiano: tinha uma voz aflautada e meiga, se ofereceu para ler o sermão, na
ausência do padre, mas é afastado quando o mesmo retorna, murmura despeitado
por ter que deixar no meio o sermão.
Mestre: Tinha paixão por pássaros, baixo, magro, de rosto fino, calvo, usava
óculos. No momento que seus alunos não
iam bem, tinha o costume de dar alguns “bolos”. Quando conheceu Leonardo,
mostrou não gostar muito dele.
Uma analogia que podemos fazer com a obra Memórias de um
Sargento de Milícias e a telenovela mexicana A Usurpadora de 1998, chegando ao
Brasil somente um ano depois, 1999. A trama principal está na troca de duas
mulheres – Paulina e Paola Bracho, iguais na aparência, mas diferentes na
personalidade e sentimentos.
Para efeitos de análise e para melhor compreensão,
fizemos uma pequena comparação entre uma novela, uma obra literária ocidental e
nossa obra brasileira, demonstrando que as características românticas, efeitos
e concepções estão presentes em nossa cultura, independente de época, tradição
ou cultura. (Para conhecer a obra, Lazarillo de Tormes, acesse: Lazarillo de Tormes - Bilíngue)
A influência do pícaro espanhol na telenovela e na literatura brasileira.
Mas, deixando essa trama, o que nos interessa é o
personagem Willy Monteiro marido de Estefanie Bracho, tal como Leonardinho,
estes tem o jeito malandro, mulherengo, e sempre querendo se dar bem. E tanto
nessa telenovela (como em outras), há também em obras literárias em que
retratam essa “dialética da malandragem”, como é o caso da obra A Vida de Lazarillo de Tormes, autoria
desconhecida.

Dica: O presente artigo versará sobre: a presença do
pícaro espanhol na literatura Brasileira, a caracterização teórica do romance
malandro e a concepção de Antônio Cândido sobre personagens pícaros e
malandros. (A recriação do pícaro na literatura brasileira: O personagem malandro.)
Referência bibliográfica:
ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um Sargento de Milícias. S/ed. São Paulo: Sol, s/ano.
Memórias de um Sargento de Milícias. Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=1969
acessado: 28/11/2015.
ANÔNIMO. Lazarilho
de Tormes. 2.ed. São Paulo: 34.
Lazarilho de Tormes. disponível em: https://portugues.free-ebooks.net/ebook/Lazarillo-de-Tormes/pdf/view
acessado: 28/11/2015.
BOSI, Alfredo. História
concisa da literatura brasileira. 49.ed. São Paulo: Cultrix, 2013.
BOTOSO, Almir. A recriação do pícaro na literatura
brasileira: O personagem malandro. Letrônica. Rio Grande do Sul, v.4. n.1,
p.122-135, jullho 2011.
Malandro é malandro, mané é mané disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=mIyELbDl58k acessado: 28/11/2015.



Excelente postagem. Cumpre as exigências do curso.
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