sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Análise do título "Luciola" de José de Alencar


Introdução
O texto abaixo é sobre a análise das personagens de “Lucíola” de José de Alencar. A edição analisada foi da reimpressão de janeiro de 2015 da Coleção L&PM POCKET de Porto Alegre, RS. O nome completo do autor é José Martiniano de Alencar, 1829-1877.

ANÁLISE DAS PERSONAGENS DA OBRA
“LUCIOLA” DE José de Alencar.

1         Lúcia/Maria da Glória: Lúcia é uma mulher de 19 anos, é cortesã, e é uma das mais ricas da cidade. É extremamente bonita e elegante, sendo cobiçada pelos homens e invejada pelas mulheres. Pela sua profissão, é muito mal falada pela cidade, assim, as pessoas julgam a "casca", e então as pessoas não sabem quem ela realmente é por dentro. Tem os cabelos anelados escuros e grandes olhos negros. É muito profunda e reflexiva, tendo assim grande complexidade psicológica.

Trecho da fala de Maria da Glória:

“ ... Depois de algumas voltas descobrimos ao longe a ondulação do seu vestido, e formos encontra-la, retirada a um canto, distribuindo algumas pequenas moedas de prata à multidão de pobres que a cercava. Voltou-se confusa ouvindo Sá pronunciar o seu nome:
- Lúcia!
- Não há modos de livrar-se uma pessoa dessa gente! São de uma impertinência! – disse ela, mostrando os pobres e esquivando-se aos seus agradecimentos.
Feita a apresentação no tom desdenhoso e altivo com que um moço distinto se dirige a essas sultanas do ouro, e trocadas algumas palavras triviais, meu amigo perguntou-lhe:
- Vieste só?
- Em corpo e alma.
- E não tens companhia para a volta?
Ela fez um gesto negativo.
- Nesse caso ofereço-te a minha, ou antes a nossa.
- Em qualquer outra ocasião aceitaria com muito prazer; hoje não posso. ...”  (ALENCAR. 1999, p. 16)

2         Paulo: Paulo é um jovem, pernambucano, de 25 anos recém-chegado no Rio de Janeiro. Não tem muito dinheiro, por estar ingressando na vida profissional, e acha isso algo ruim por estar se relacionando com Lúcia, que é muito rica. É um homem ingênuo e que, em algumas passagens do livro, age sem pensar.


Trecho da fala de Paulo:

"- Supunha que fosse apenas uma dessas moças fáceis, a quem contudo é preciso fazer a corte por algum tempo.
- O tempo de abrir a carteira. Andas no mundo da lua, Paulo. Queres saber como se faz a corte à Lúcia? ... Dando-lhe uma pulseira de brilhantes, ou abrindo-lhe um crédito no Wallerstein.

- Não é sem razão que te pergunto isso; encontrei-a há dias, e a sua conversa, os seus modos, pareceram-me tão sérios!"  (ALENCAR. 1999, p. 25)


3         Sá: Grande amigo de Paulo, tem 30 anos. Mora há cerca de 7 ou 8 anos no Rio de Janeiro. É ele que apresente Lúcia a Paulo. Fala mal de Lúcia, o que desagrada Paulo.


Trecho da fala de Sá:

“Encontrei-me à tarde com Sá no Hotel da Europa, onde costumava jantar. Estava ainda muito viva a lembrança do que me sucedera naquela manhã para não aproveitar o ocasião de falar-lhe a respeito, tendo o cuidado de ocultar o papel que havia representado na pequena comédia.
- Tens visto a Lúcia? – perguntei-lhe.
- Não; há muito tempo que não a encontro.
- Tu a conheces bem, Sá?
- Ora! Intimamente!
- Tens toda a certeza de que ela seja o que me disseste na Glória?
- E essa! Pois duvidas? ... Vá à casa dela; já te apresentei.
- Supunha que fosse apenas uma dessas moças fáceis, a quem contudo é preciso fazer a corte por algum tempo.  (ALENCAR. 1999, p. 24 e 25)


- O tempo de abrir a carteira. Andas no mundo da lua, Paulo. Queres saber como se faz a corte à Lúcia? ... Dando-lhe uma pulseira de brilhantes, ou abrindo-lhe um crédito no Wallerstein.”  (ALENCAR. 1999, p. 25)





4         Ana: irmã mais nova de Lúcia, de apenas 12 anos. É muito parecida com sua irmã mais velha, também possui os cabelos anelados, só que loiros. No final do livro casa-se.


Trecho da fala de Ana:



5       Laura e Nina: Prostitutas assim como Lúcia. Estavam presentes no jantar na casa de Sá, e apresentam inveja da beleza de Lúcia. Lúcia ajuda Laura uma vez, pagando seu aluguel. Paulo marca um encontro com Nina para fazer ciúmes em Lúcia, mas ela não vai.


Trecho da fala de Laura:

“ ...
- Hei de lembrar-me sempre que, sem ti, não teria amanhã onde dormir. É pequeno serviço?
- Não vês que me estás aborrecendo, Laura! – disse Lúcia, batendo o pé com impaciência.
- Está bem, não quero que te arrependas do benefício.
- Certamente me farás arrepender. Sabes que eu não gosto que me contrariem. Adeus.
Laura fitou nela um olhar surpreso, no qual passou rapidamente a sombra de um ressentimento; mas acabou rindo-se, e saiu depois de dizer estas palavras:
- Tu me expulsas de tua casa? Não tenho do direito de ofender: acabas de pagar o aluguel da minha.

A porta fechada por Lúcia bateu com tanta força que as vidraças das janelas estremeceram.” (ALENCAR. 1999, p. 72)



Trecho da fala de Nina:

“ ...
E essa pobre moça, a Nina, inocente da minha loucura, que talvez por meu respeito perdera o seu amante? Era primeira vez, desde que a deixara, que me recordava dela. Devia-lhe uma desculpa; e, como não tinha outra coisa que fazer, aproveitei esse pretexto para sair.

Pensava, chegando à casa de Nina, encontrar um rosto fechado, um momo despeitado, e um bom-dia atirado da ponta de um beiço desdenhoso. Qual não foi portanto a minha surpresa vendo-a precipitar –se para mim, abraçar-me com ímpeto, e atirar-me de repente pela testa e pelo rosto uma chuva de carícias que me zoou.

Afinal consegui desprender-me dos braços que me enlaçavam; ia pedir uma explicação, quando Nina atalhou-me:

- Estou muito zangada com o senhor! – disse com ar que exprimia inteiramente o contrário. – Fazer-me esperar até não sei que horas!
- Confesso que cometi uma falta; mas há de me desculpar.
- Ah! Cuida que a pulseira que me mandou paga o prazer de sua companhia! Enganou-se! ...”(ALENCAR. 1999, p, 100 e 101)






5         Cunha: já teve uma relação extra conjugal com Lúcia, que o deixou por ver sua mulher muito triste e pensativa. Assim como Sá, fala muito mal de Lúcia.


Trecho da fala de Cunha:

“ ... Lúcia, como vê, parecia adivinhar o que me tinham dito o Cunha e o Sá para desmenti-los completamente. Entretanto, quando eu devia admirar a nobreza dessa lama, quando a mulher que acusavam de cúpida e avara afastava delicadamente uma questão mesquinha, entregando posição ignorava, o meu orgulho me inspirava uma sórdida e estúpida lembrança.” (ALENCAR. 1999, p 75)

6         Couto: velho homem galanteador. Foi ele que se aproveitou da inocência e necessidade de Lúcia quando esta tinha apenas 14 anos.


Trecho da fala de Couto:



7         Rochinha: rapaz de 17 anos que possui velhice precoce por beber demais.


Trecho da fala de Rochinha:



8         Jesuína: mulher que recolhe Lúcia quando ela é expulsa de casa aos 14 anos, e que finge ser sua enfermeira.


Trecho da fala de Jesuína:



9         Jacinto: homem de 45 anos que vive da prostituição de mulheres pobres. Paulo achava que ele e Lúcia eram amantes, o que não era verdade.


Trecho da fala de Jacinto:



          
São Paulo, 27 de novembro de 2015;
Literatura Brasileira II - Prof. Vinicius
Daisy de Souza Dória
Maurício França
Erica Arib


Um comentário:

  1. Boa postagem, meninos. Talvez tenha faltado citar um pouco mais das ações das personagens dentro da obra, contribuindo para reforçar a caracterização dos comportamentos.

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