Introdução
O texto abaixo é sobre a análise das
personagens de “Lucíola” de José de Alencar. A edição analisada foi da
reimpressão de janeiro de 2015 da Coleção L&PM POCKET de Porto Alegre, RS. O
nome completo do autor é José Martiniano de Alencar, 1829-1877.
ANÁLISE DAS PERSONAGENS DA OBRA
“LUCIOLA” DE José de Alencar.
1 Lúcia/Maria da Glória: Lúcia é uma
mulher de 19 anos, é cortesã, e é uma das mais ricas da
cidade. É extremamente bonita e elegante, sendo cobiçada pelos homens e
invejada pelas mulheres. Pela sua profissão, é muito mal falada pela cidade, assim, as pessoas julgam a "casca", e
então as pessoas não sabem quem ela realmente é por dentro. Tem os cabelos
anelados escuros e grandes olhos negros. É muito profunda e reflexiva, tendo
assim grande complexidade psicológica.
Trecho da fala de Maria da Glória:
“ ... Depois de algumas
voltas descobrimos ao longe a ondulação do seu vestido, e formos encontra-la,
retirada a um canto, distribuindo algumas pequenas moedas de prata à multidão
de pobres que a cercava. Voltou-se confusa ouvindo Sá pronunciar o seu nome:
- Lúcia!
- Não há modos de
livrar-se uma pessoa dessa gente! São de uma impertinência! – disse ela,
mostrando os pobres e esquivando-se aos seus agradecimentos.
Feita a apresentação no
tom desdenhoso e altivo com que um moço distinto se dirige a essas sultanas do ouro, e trocadas algumas palavras triviais, meu amigo perguntou-lhe:
- Vieste só?
- Em corpo e alma.
- E não tens companhia
para a volta?
Ela fez um gesto
negativo.
- Nesse caso ofereço-te a
minha, ou antes a nossa.
- Em qualquer outra
ocasião aceitaria com muito prazer; hoje não posso. ...” (ALENCAR. 1999, p. 16)
2 Paulo: Paulo é um jovem, pernambucano,
de 25 anos recém-chegado no Rio de Janeiro. Não tem muito dinheiro, por estar
ingressando na vida profissional, e acha isso algo ruim por estar se
relacionando com Lúcia, que é muito rica. É um homem ingênuo e que, em algumas
passagens do livro, age sem pensar.
Trecho da fala de Paulo:
"- Supunha que fosse
apenas uma dessas moças fáceis, a quem contudo é preciso fazer a corte por
algum tempo.
- O tempo de abrir a
carteira. Andas no mundo da lua, Paulo. Queres saber como se faz a corte à
Lúcia? ... Dando-lhe uma pulseira de brilhantes, ou abrindo-lhe um crédito no
Wallerstein.
- Não é sem razão que te
pergunto isso; encontrei-a há dias, e a sua conversa, os seus modos,
pareceram-me tão sérios!" (ALENCAR. 1999, p. 25)
3 Sá: Grande amigo de Paulo, tem 30
anos. Mora há cerca de 7 ou 8 anos no Rio de Janeiro. É ele que apresente Lúcia
a Paulo. Fala mal de Lúcia, o que desagrada Paulo.
Trecho da fala de Sá:
“Encontrei-me à tarde com
Sá no Hotel da Europa, onde costumava jantar. Estava ainda muito viva a lembrança do que me sucedera naquela manhã para não aproveitar o ocasião de falar-lhe
a respeito, tendo o cuidado de ocultar o papel que havia representado na
pequena comédia.
- Tens visto a Lúcia? –
perguntei-lhe.
- Não; há muito tempo que
não a encontro.
- Tu a conheces bem, Sá?
- Ora! Intimamente!
- Tens toda a certeza de
que ela seja o que me disseste na Glória?
- E essa! Pois duvidas?
... Vá à casa dela; já te apresentei.
- Supunha que fosse
apenas uma dessas moças fáceis, a quem contudo é preciso fazer a corte por
algum tempo. (ALENCAR. 1999, p. 24 e 25)
- O tempo de abrir a
carteira. Andas no mundo da lua, Paulo. Queres saber como se faz a corte à
Lúcia? ... Dando-lhe uma pulseira de brilhantes, ou abrindo-lhe um crédito no
Wallerstein.” (ALENCAR. 1999, p. 25)
4 Ana: irmã mais nova de Lúcia, de
apenas 12 anos. É muito parecida com sua irmã mais velha, também possui os
cabelos anelados, só que loiros. No final do livro casa-se.
Trecho da fala de Ana:
5 Laura e Nina: Prostitutas assim como Lúcia.
Estavam presentes no jantar na casa de Sá, e apresentam inveja da beleza de
Lúcia. Lúcia ajuda Laura uma vez, pagando seu aluguel. Paulo marca um encontro
com Nina para fazer ciúmes em Lúcia, mas ela não vai.
Trecho da fala de Laura:
“ ...
- Hei de lembrar-me
sempre que, sem ti, não teria amanhã onde dormir. É pequeno serviço?
- Não vês que me estás
aborrecendo, Laura! – disse Lúcia, batendo o pé com impaciência.
- Está bem, não quero que
te arrependas do benefício.
- Certamente me farás
arrepender. Sabes que eu não gosto que me contrariem. Adeus.
Laura fitou nela um olhar
surpreso, no qual passou rapidamente a sombra de um ressentimento; mas acabou
rindo-se, e saiu depois de dizer estas palavras:
- Tu me expulsas de tua
casa? Não tenho do direito de ofender: acabas de pagar o aluguel da minha.
A porta fechada por Lúcia
bateu com tanta força que as vidraças das janelas estremeceram.” (ALENCAR.
1999, p. 72)
Trecho da fala de Nina:
“ ...
E essa pobre moça, a
Nina, inocente da minha loucura, que talvez por meu respeito perdera o seu
amante? Era primeira vez, desde que a deixara, que me recordava dela. Devia-lhe
uma desculpa; e, como não tinha outra coisa que fazer, aproveitei esse pretexto
para sair.
Pensava, chegando à casa
de Nina, encontrar um rosto fechado, um momo despeitado, e um bom-dia atirado
da ponta de um beiço desdenhoso. Qual não foi portanto a minha surpresa vendo-a
precipitar –se para mim, abraçar-me com ímpeto, e atirar-me de repente pela
testa e pelo rosto uma chuva de carícias que me zoou.
Afinal consegui
desprender-me dos braços que me enlaçavam; ia pedir uma explicação, quando Nina
atalhou-me:
- Estou muito zangada com
o senhor! – disse com ar que exprimia inteiramente o contrário. – Fazer-me
esperar até não sei que horas!
- Confesso que cometi uma
falta; mas há de me desculpar.
- Ah! Cuida que a
pulseira que me mandou paga o prazer de sua companhia! Enganou-se! ...”(ALENCAR.
1999, p, 100 e 101)
5 Cunha: já teve uma relação extra conjugal
com Lúcia, que o deixou por ver sua mulher muito triste e pensativa. Assim como
Sá, fala muito mal de Lúcia.
Trecho da fala de Cunha:
“ ... Lúcia, como vê,
parecia adivinhar o que me tinham dito o Cunha e o Sá para desmenti-los
completamente. Entretanto, quando eu devia admirar a nobreza dessa lama, quando
a mulher que acusavam de cúpida e avara afastava delicadamente uma questão
mesquinha, entregando posição ignorava, o meu orgulho me inspirava uma sórdida
e estúpida lembrança.” (ALENCAR. 1999, p 75)
6 Couto: velho homem galanteador. Foi
ele que se aproveitou da inocência e necessidade de Lúcia quando esta tinha
apenas 14 anos.
Trecho da fala de Couto:
7 Rochinha: rapaz de 17 anos que possui
velhice precoce por beber demais.
Trecho da fala de Rochinha:
8 Jesuína: mulher que recolhe Lúcia quando
ela é expulsa de casa aos 14 anos, e que finge ser sua enfermeira.
Trecho da fala de Jesuína:
9 Jacinto: homem de 45 anos que vive da
prostituição de mulheres pobres. Paulo achava que ele e Lúcia eram amantes, o
que não era verdade.
Trecho da fala de Jacinto:
São Paulo, 27 de novembro de 2015;
Literatura Brasileira II - Prof. Vinicius
Daisy de Souza Dória
Maurício França
Erica Arib
Boa postagem, meninos. Talvez tenha faltado citar um pouco mais das ações das personagens dentro da obra, contribuindo para reforçar a caracterização dos comportamentos.
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